sábado, 21 de novembro de 2009

Tereza, A banda


Em algum canto da Casa da Matriz:

- Oi, lembra de mim?
(cara de quem está forçando a memória)- Ahh claro.
- Legal. Você é de Brasília né?
- Quase, sou de Minas.
- Ahh é. Você pode conversar um pouco?
- (acho que já estamos, mas...) Aham.
- Então, é que eu tenho uma banda. E...
- (ai meu Deus, já vai estragar a conversa)
-... a gente fez uma música que eu queria te mostrar.
- O que sua banda toca?
- Pop Rock.
- Ahnn? ( ahh não,que merda, quem se aprenseta assim? melhor nem perguntar as influencias)
- É sério, a gente é bem pop. ( a gente quer é fazer sucesso - isso eu pensei que ele tava pensando e eu tinha um pouco de razão)
- Pop tipo o que?
- Tipo kings of Leon, Libertines.
- ( unnn e não é que ele tem uma boa visão do pop) Me conta mais da sua banda (e de vc ;)
- Então, a gente vai tocar na semana que vem, você quer ir?
- Aham, me convida que eu vou.

Uma semana depois, sexta a noite:

- Mensagens de texto-

- Oi e que hoje tem show da minha banda se vc quiser ir me manda uma msg.
- Oi, tudo bem? Onde é o show?
- Itaipu niterói
- Isso é perto de Buzios?

Telefone ( 5 ligações iguais pra 5 amigas diferentes):

- Amiga, vai fazer o que hoje?
- Não sei.
- Oba, vamos pra niterói? num show.
- O que?
- Tá maluca? Quem é esse Thais?
- Te conto no caminho.
- Me espera tomar banho?
- Ok.

Sexta noite, depois de 2h30 na ponte, arrependimento mortal, a gente chega no bar e eles já estão no palco.
- Unn, e não que é bom.
- Nossa, que bacana.
- Vamos chegar mais perto?
- Tá louca? tenho vergonha.
- Que isso, a gente não conhece ninguem aqui.
- Ok, vou só pegar uma cerveja.
....

Depois dessa cerveja muita coisa aconteceu, foi paixão a primeira vista. Pela Banda. A Tereza (com Z e sem H).

http://www.youtube.com/watch?v=g9XREh_GT5s

http://www.youtube.com/watch?v=F-TlEO2WK80

http://www.youtube.com/watch?v=lNuQwhoCbMI

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Desabafo

Sobre sentimentos. Estou frustrada. Comigo. Como em todas as áreas da minha vida, sempre tento “sentir” sem moldes, sem formas pré-estabelecidas. Isso costuma funcionar bem com quase tudo, exceto sentimentos. A maldita expectativa é uma desgraça, o papel dela na vida é causar decepção. Mais nada. Pra que esperar algo? De si e do outro? E do mundo? Esses 3 sempre me magoam, por minha culpa, porque teimo a esperar algo. E aí Puf. Quando não é daquele jeito, vem aquela água quente e sai pelos olhos. E o nó na garganta? Esse é o pior. E o pior é que não dá pra fugir dessas coisas todas. Você pode odiar novela, carnaval ou futebol (exemplos simples e populares, nada contra eles). Mas você não consegue deixar de sentir saudade, amor ou ódio. De onde vêm essas coisas? Em que órgão cada uma delas é processada? Tenho impressão de que os orientais (excetos esses coreanos marrentos que vivem por aqui), os tibetanos, por exemplo, parecem entender dessas coisas. Eles têm pinta de que estão além de todas as alterações internas. Digo isso pela cara deles. Pela capacidade de meditar horas seguidas. Acho que tenho grande propensão a viver longe da sociedade no futuro, as pessoas me matam. Cada uma a sua maneira. Ódio ou amor. Os dois matam. E eu não quero me deixar morrer. E eu já pensei o contrário, mas hoje eu prefiro sentir nem um nem outro. Claro que é uma escolha momentânea.

Avisei que era desabafo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Tiê- Sweet Jardim


Sabe a sensação de acordar de manhã bem cedo, num dia fresco que o sol promete sair , os passarinhos cantam e o cheiro é de um dia novo?
Sabe quando você lembra com carinho de momentos difíceis que se passaram. De lágrimas e desprazeres. E você se vê superando aquilo, ou ao menos aprendendo a rir daquilo?
Sabe quando você pensa em pessoas que você ama e que deixam sua vida colorida?
Sabe quando você pensa nessas mesmas pessoas e as encaixa nos momentos ali de cima?
Então essa cena pede uma trilha sonora e ontem eu ouvi de pertinho quem poderia cantar nesses meus momentos.
Depois de um dia comum de trabalho recebo o convite de uma querida amiga pra ir ao show da Tiê. Confesso que nunca tinha ouvido falar da pessoa. Ando meio desligada do que acontece por aí. Feio. A amiga disse, você vai gostar, é doce e as letras são lindas. E eu só precisava de alguma coisa com açúcar. Aceitei o convite. O apresentação custava 2 reais e era a 100 metros do meu trabalho. Ótimo pra um dia de chuva.
Depois de um lanchinho, chegamos ao local onde um público muito misto aguardava pela abertura do teatro. Velhos bem velhos, adolescentes modelo alternativo clichê, jovens meio roots e jovens intelectuais profundamente conhecedores da cultura nacional contemporânea. E eu (eu sou um pouco de cada um deles, tirando o último).
Tiê cantou todas as suas 10 músicas doces. E mais 2 covers cheio de lembranças - Se namora do balão mágico e Cryin do Aerosmith. Parecia que ela queria falar comigo, sabe? (Essa música vou cantar pra você que tá sentada aí na segunda fileira, é uma cação que fazia você chorar quando era criança que você colocava o LP pra ouvir enquanto pensava no dia em que sentiria aquilo tudo por alguém. E depois eu toco aquela que você tinha numa das inúmeras fitas VHS que sua amiga da cidade grande gravava da MTV ,quando ainda não tinha TV fechada em Jacutinga, e você ouvia e cantava querendo ser uma adolescente descolada).!!!
Me envolvi na simplicidade de suas letra e montei todas as histórias na minha cabeça. Busquei os personagens do meu arquivo pessoal e fiquei curtindo meus 12 curtas de 3 minutos. Tenho um elenco bastante fixo que se repetia em vários curtas.
Mas voltando a Tiê, ela é muito simpática. Dessas que da vontade de ser amiga e de tocar violão junto (eu sempre quero ser amiga das pessoas que eu admiro). Ela é divertida contando as histórias de suas músicas. E está grávida, o que deixa sua voz mais doce (se é que é possível).
A afinação de suas cordas vocais é de dar inveja.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Cassino Hotel



Demorei mais achei o livro do André Takeda. O Google me disse que sua escrita tinha um “quê” de Nick Hornby. Publicidade eficientíssima pra uma fanática.
Começo a ler na semana que antecede a viagem a minha cidade natal. Há 6 meses não visito a família. Uma sensação estranha de ansiedade e angústia me persegue quase que inconscientemente. Medo das pessoas estarem muito mudadas, envelhecidas. Medo de decepção. Medo de sentir falta deles quando voltar. Medo de todas as fraquezas. Aí entra “Cassino Hotel”, começo a leitura deixando a surpresa no ar. Não sabia sobre o que se tratava. O texto não chega aos pés no Nick. Mas eu insisto. E logo começo a me encontrar em todos os personagens.
> João Pedro é um cara de 30 anos que nasceu no Rio Grande do Sul e foi tentar a vida em São Paulo como guitarrista. São Paulo lhe traz experiências que me são familiares, solidão, vida trash e fugas. Uma decepção amorosa leva João Pedro de volta ao Rio Grande do Sul onde ele tem muitas pendências amorosas, emocionais com amigos e com a família.
> Melissa é a namorada super pop star de João Paulo (ela tem 18 anos, bom lembrar)
> Mateus é o melhor amigo deixado pra traz na escolha de ficar em São Paulo
> Letícia é a ex namorada também deixada pra traz e que agora esta com o Mateus, grávida.
> O pai de João Pedro adotou Letícia e Mateus na sua ausência e agora eles são como sua família.

Estou na metade do livro, não sei tudo sobre eles e nada sobre outros ainda.

As lembranças de João Pedro de sua vida no interior. Suas experiências. O cheiro e a cor das coisas. Só penso em Jacutinga. Em como é diferente a vida no interior. Adaptar-me na cidade grande foi muito difícil pra mim. Eu sempre fiz analogias de tudo e todos. Sempre tentei encontrar em São Paulo e no Rio um pouco das coisas que eu tinha em Jacutinga. Infelizmente encontrei pouco em São Paulo, talvez pela proximidade com Jacutinga. Sentia falta de algo e logo fugia pra lá. No Rio essa fuga dá muito mais trabalho, então construí uma vida aqui com peças que substituem bem o que eu tinha lá. Algumas coisas sempre vão faltar. Mas outras eu nunca teria lá e nem encontraria peças pra substituí-las.

Tô feliz por cruzar com o “Cassino Hotel” bem agora. Embora.... o ritmo do livro chega a ser tão óbvio que me lembra " O código da Vinci" ^^

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Eu quero meu dia de volta




1,2,3 não brinco mais!


Cansei de ir no banco, pagar contas e ficar preocupada com meu saldo bancário. Cansei de ligar para serviços de atendimento telefônico, reclamar e receber propostas de telemarketing. Cansei de pensar o que vou fazer pra comer, se tem algo estragando na geladeira ou muita roupa suja pra lavar. Cansei de pensar se é dia de trocar a roupa de cama, a toalha, e se hoje o caminhão de lixo passa. Não quero mais saber que dia é hoje da semana, quero de volta minhas férias de julho e meu dia 12. Quero que minha mãe me acorde e não o celular. Ah e também não quero mais o celular. Quero que me digam que não vou levantar da mesa se não comer tudo e que nem terei sobremesa. Quero voltar a acreditar que seguro de vida é uma coisa que você faz pra não morrer mais. E quero não mais saber que existem outros seguros, previdências, investimentos, juros, créditos, senhas, cartões e protocolos. Quero ter horário pra voltar pra casa antes que seja muito tarde e não pra chegar no ponto de ônibus antes que o ônibus que me deixa mais perto do trabalho passe. Quero usar carimbos e stencil e nunca mais imprimir uma folha. Quero esquecer os nomes: arquivos, documentos, Word, Excel e salário. Quero ficar ansiosa pelo meu próximo aniversário, escrever carta pro papai Noel e que escolham a roupa que eu vou vestir. Quero ver meu sapato preferido ficar pequeno. Quero fazer tarefa e sentir o cheiro frutado da lancheira na hora do recreio. Alias, quero trocar a hora do almoço pela hora do recreio. Quero sentir cheiro de presente novo no natal e dormir assistindo um filme da Xuxu, e mais importante, acordar sem ressaca.

Quero ter febre, ficar banguela e pegar piolho.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O quintal

Para minha avó.
Eu era mais nova, ela era tudo que eu queria ser. Legal, carismática, talentosa e fazia sucesso com os meninos. Eu não era nada disso. Nada. Só tinha o quintal da casa da minha avó pra oferecer em troca da sua amizade. O quintal era grande. Isso era.
Minha avó dizia pra eu ficar tranquila, porque eu tinha o maior quintal e eu era a mais bonita. Mas eu não queria brincar sozinha naquele quintal enorme e eu sabia que ela mentia sobre minha beleza. Talvez ela até acreditasse nisso.
Um dia apareceu na cidade uma família de fora. De São Paulo. Mudaram-se pra lá. Eles eram muito finos . E eram amigos da minha avó. Nascia a minha chance de conquistar algo com isso.
A filha dessa família era pouco mais velha que eu. E muito bonita. Ia fazer sucesso com os meninos. Sem dúvida. Eu precisava agir logo.
- Vó, me leva pra almoçar com eles? E fomos. Eu gastei toda minha carisma, e claro, levei meus melhores brinquedos. Mas ela já tinha tudo. No final da tarde eu era a melhor amiga dela da cidade.
Quando foi pra escola pela primeira vez eu era sua única amiga. E aquele dia foi o meu reinado. Eu era amiga da menina de fora. Da menina mais nova na cidade. Só eu a conhecia, e ela veio falar comigo no recreio, sem eu ter que ficar rodeando pra chamar atenção, como eu costumava fazer com todos.
Nesse dia, aquela amiga que eu tanto idolatrava, passou a me dar valor. Ela me chamou, pediu informações sobre a menina nova e disse que podíamos entrar no seu time de queimada, se quiséssemos muito. Eu disse que tava com o pé dolorido. Charme. E a menina nova ficou sentada do meu lado. Não jogou também. Ela era o meu tesouro. Minha força. E eu começava a pensar que isso não poderia acabar nunca. E eu não tinha um plano.
Uma semana depois eu já achava o meu tesouro um pé no saco. Ela era menininha demais. Queria pentear meu cabelo e me passar batom. Eu não tava afim. Mas isso não era problema. Porque a minha meta havia sido alcançada. Minha amiga antiga, a talentosa, passava todo dia na minha casa para caminharmos juntas até o colégio. Eu me sentia o máximo. Parecia que eu tinha até crescido uns centímetros.
A menina logo se tornou comum na cidade. Ela era muito chata na verdade. Mas mesmo assim todos os meninos “gostavam” dela. Nunca entendi os meninos.
Porque a minha amiga só me deu valor depois que outra deu? E porque isso acontece com tudo e com todos? Nesse caso eu não gostei da amiga nova.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Profissão: Cortador-de-grama e Fazedor-de-grilo-planta

No caminho pro trabalho eu olhava pela janela do ônibus. O foco não era nada específico. Até que, uma formação triangular de símbolos da sociedade capitalista atual se alinhou no meu campo de vista durante um sinal fechado.
Foi assim.

No canteiro do aterro do Flamengo um jovem trabalhador dirigia um carrinho-corta-grama fazendo trajetos divertidos, formava desenhos no canteiro enquanto a grama ia ficando aparada. Bem ao lado, um semi-mendigo sentado num papelão, apreciava o movimento do corta-gramas sem piscar os olhos. Deixando em segundo plano seu trabalho de confecção de pequenos animais e miniaturas a partir de folhas de coqueiro. Fechando o triângulo, um pouco a frente do meu ônibus, tinha um outro ônibus estampado com a propaganda de uma instituição de cursos de MBAs. Na foto da propaganda tinha um jovem empreendedor recém-formado (e recém clareado os dentes) erguendo seu diploma de MBA todo orgulhoso. Na hora bateu um daqueles tocs: Eu tinha o tempo do sinal pra escolher qual daquelas 3 figuras eu escolho ser pro resto da minha vida. Fiquei nervosa, só consegui descartar rápido a opção do MBA. Mas os outros dois...Putz. Foi difícil. O sinal abriu e não consegui escolher. Depois segui pensando. Minha escolha seria um mix do trabalhador corta-grama com o semi-mendigo fazedor de grilos-plantas.

Eu passaria o dia dirigindo meu carrinho pelos canteiros de Burle Marx, sentindo aquele cheiro gostoso da grama cortada. No final do dia eu iria recolher algumas gramas boas pra usar nos meus mini-objetos e pequenas flores e cogumelos. Tô meio por fora do que nasce em jardins, mas o cheiro da grama é inesquecível.